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E não se pense que
pelo fato de sermos espíritas, detendo conhecimentos mais avançados,
estejamos num degrau superior, porque como disse o espírito Ermance
Dufaux “Espiritismo na cabeça é informação, no coração é transformação”.
E é bom observar que essa transformação não acontece, ou então ocorre de
forma excessivamente lenta, se não lhe dermos prioridade.
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Até agora nos
meios espíritas vem-se priorizando o estudo doutrinário, que é
importante, mas peso maior tem em nossa evolução a vivência dos
conteúdos espíritas, que são muito simples e estão ao alcance de
qualquer intelecto, por mais pobre que seja.
Enquanto isso os
espíritos continuam enfatizando, sempre com maior insistência, quanto à
nossa mais premente necessidade nesta fase de transição, a transformação
interior.
Mas por que não
conseguimos realizá-la, quanto desejaríamos?
Essa transformação
interna é tão difícil, por sermos o resultado de milenares elaborações
no bojo do tempo e das reencarnações, que para se conseguir resultados
apreciáveis é necessário:
a) dar-lhe
absoluta prioridade;
b) ter um
programa evolutivo fácil e objetivo.
Então, no bojo de
muitas reflexões e ajuda dos irmãos maiores, fomos conseguindo anotar
idéias e conclusões, construindo este programa evolutivo muito
simples e de fácil aplicação.
Reflexão básica.
É fácil observar
como, em nosso esforço evolutivo, vimos desperdiçando forças em ações
esporádicas e dispersas, que não conseguem realmente realizar a reforma
ou as transformações interiores necessárias, desestimulando nossas
pretensões evolutivas.
Mas se nos
fixarmos numa agenda com poucos pontos essenciais, adotando-a como meta,
como roteiro a ser seguido, priorizando esforços nesse sentido, fica
muito mais fácil e produtivo alavancar essa reforma.
Neste opúsculo,
mesmo limitado pelo pouco alcance de nossa visão espiritual, estamos
propondo uma agenda mínima de ações e atitudes que ajudarão
sobremodo nossa evolução espiritual.
Se adotarmos esta
agenda e priorizarmos sua implementação em nossas vidas estaremos
desenvolvendo, de forma mais rápida e intensa, nossos valores latentes,
acendendo nossa luz, enfim, realizando a nossa reforma interna.
Tal esforço é
imprescindível se quisermos compartilhar conscientemente da grande
transição do nosso planeta, de “provas e expiações” para o “mundo de
regeneração” de que falam os espíritos.
Em mensagem
psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 30 de julho de
2006, no Rio de Janeiro-RJ, falando sobre essa transição, o espírito
Joana de Angelis diz:
“Opera-se, na Terra, neste largo período, a grande transição
anunciada pelas Escrituras e confirmada pelo Espiritismo. O planeta
sofrido experimenta convulsões especiais, tanto na sua estrutura física
e atmosférica, ajustando as suas diversas camadas tectônicas, quanto na
sua constituição moral. (...) Não serão apenas os cataclismos físicos
que sacudirão o planeta, como resultado da lei de destruição, geradora
desses fenômenos, como ocorre com o outono que derruba a folhagem das
árvores, a fim de que possam enfrentar a invernia rigorosa, renascendo
exuberantes com a chegada da primavera, mas também os de natureza moral,
social e humana que assinalarão os dias tormentosos, que já se vivem.
(...) A melhor maneira, portanto, de compartilhar conscientemente da
grande transição é através da consciência de responsabilidade pessoal,
realizando as mudanças íntimas que se tornem próprias para a harmonia do
conjunto. (...) Nenhuma conquista exterior será lograda se não proceder
das paisagens íntimas, nas quais estão instalados os hábitos. Esses, de
natureza perniciosa, devem ser substituídos por aqueles que são
saudáveis, portanto, propiciatórios de bem-estar e de harmonia
emocional.”
Não acha que tais
advertências são por demais sérias para deixarmos nossa vidinha
continuar a “correr solta”, podendo acabar nos levando a reencarnar em
algum mundo primitivo, ou em algum povo dos mais atrasados do nosso
planeta, até acordarmos para as reais necessidades do nosso espírito
imortal?
Esta Agenda
Mínima, oferta dos amigos espirituais, vem ajudar sobremaneira aqueles
que realmente estão querendo transformar intenções em atitudes.
Um dos seus
diferenciais é que ela prioriza a ação evolutiva a partir dos estados
de espírito. Isto é muitíssimo mais fácil do que ficar vigiando cada
pensamento, palavra, sentimento e ação. Apenas praticar ações virtuosas
é algo superficial, não muda estruturas, mas desenvolver estados de
espírito é trabalhar os valores correspondentes, em sua profundidade.
Outro diferencial
é o fato dela resumir todo um processo evolutivo - que demandaria um
número infinito de ações - em apenas cinco pontos. Quatro
são estados de espírito e um é atributo da mente.
OBSERVAÇÃO: Nesta
nova edição, estamos retirando dois dos pontos complementares, o
compromisso e as atitudes, por entender que já estão implícitos no
processo de crescimento interior, não precisando ser citados.
Afetividade
Sendo o amor o
maior dos valores da alma, o primeiro ponto a ser considerado é a
afetividade, caminho que nos leva a ele.
As manifestações
do amor são tão infinitas, desde as mais primárias até às mais elevadas,
que fogem ao nosso entendimento. Na verdade sabemos teorizá-lo, mas não
o conhecemos em sua plenitude.
Sabemos, no
entanto, que nossos pensamentos, palavras, sentimentos e ações são
fortemente influenciados pelos nossos estados de espírito, pelo nosso
“clima interior”. Assim, cuidando desse “clima”, estaremos facilitando
sobremaneira a vivência de atitudes mais condizentes com o conhecimento
espiritual que já alcançamos e com o nosso momento evolutivo.
Num seminário
sobre perdão e auto-perdão o médium e orador espírita Divaldo P. Franco
disse:
“Dois físicos
quânticos de renome estabeleceram que quando nós amamos, produzimos
moléculas, micro-partículas que podem ser semelhantes a fótons e
vitalizam-nos a corrente sanguínea, e quando odiamos, quando nutrimos
raiva ou mágoa, geramos micro-partículas semelhantes ao elétron, e elas
destroem nosso sistema imunológico, e nós adoecemos”.
Informou ainda
Divaldo que o Dr. Mark Cleland, da universidade de Harvard, diz que os
derivados do amor produzem linfócitos que sustentam a vida, e que o
otimismo nos ajuda a viver.
Vemos então que,
desenvolver amor nos sentimentos e vivenciá-lo, não reflete apenas um
ensinamento de natureza religiosa, mas também a própria ciência do bem
viver.
Nos últimos anos
inúmeras pesquisas científicas vêm demonstrando a eficiência de valores
como o amor e o perdão na geração de saúde e bem-estar. Percebemos então
como os ensinamentos de Jesus, sob a ótica dessas descobertas e
constatações científicas, assumem novas feições. Já podemos começar a
deixar de vê-lo apenas pelas vias do misticismo, como o mártir da cruz
ou o fundador de religiões, pois Ele agora nos surge na condição de
cientista cósmico, de Mestre que veio nos ensinar a perfeita ciência do
bem-viver. Suas lições já podem deixar de representar aqueles chavões
com cheiro de obrigação religiosa ou caminho para a colônia espiritual
Nosso Lar, surgindo em toda a sua plenitude como verdades que,
obedecidas, promovem o bem-estar da criatura e o seu crescimento como
ser cósmico e eterno.
Perdoar, amar, ser
fraterno, pacífico, mais que preceitos religiosos são fatores de saúde
física e psíquica, porque geram energia psíquica positiva, de boa
qualidade. São também fatores de prosperidade material, até o ponto em
que a programação reencarnatória permita, porque a pessoa que se habitua
a desenvolver vibrações de elevado teor gera uma presença agradável, que
lhe abre muitas portas.
Na verdade, há
dentro de nós um universo de conhecimentos a serem buscados, de
capacidades, aptidões e possibilidades infinitas que poderão nos
conduzir a patamares evolutivos mais compatíveis com as características
de um mundo de regeneração.
Apresentamos,
assim, a afetividade como o primeiro ponto, o primeiro
valor a ser considerado nesta agenda mínima, não só pelos atributos já
identificados, mas também por fornecer conteúdo ou alicerce para os
demais valores crescerem e se firmarem.
Mas como
desenvolvê-la, já que isto é tão difícil?
O primeiro passo
está em exercitá-la continuamente visando criar condiciona-mento. Quando
conseguirmos estar sempre atentos para gerar afetividade, esse valor
começará a fazer parte do nosso psiquismo e emoções. A grande
dificuldade, no entanto, está em nos lembrarmos sempre desse
propósito.
Para solucionar
essa questão pode-se utilizar alguns recursos, inclusive lançar mão de
benefícios da tecnologia, tais como:
1 – Programar o
celular, o computador, ou um relógio para emitir algum som a cada meia
hora e, sempre que escutá-lo, desenvolver um estado interior de
afetividade.
2 – Colocar
pequenos lembretes em alguns locais. Com um pouco de criatividade
consegue-se isto facilmente.
3 – Adquirir um
bracelete, um colar ou algo semelhante para, ao percebê-lo ou senti-lo,
lembrar-se de exercitar afetividade.
Pode-se também
estabelecer determinados momentos para exercitá-la, tais como, durante o
banho e as refeições, à hora de dormir e antes de levantar. São momentos
em que ocorre maior desligamento do corre-corre do cotidiano,
facilitando a introjeção de amorosidade nos sentimentos.
Durante o banho
pode-se mentalizar a energia da água a lavar também os resíduos
energéticos negativos aderidos ao corpo espiritual. Em seguida
desenvolver um sentimento de afeto pelos pés, as pernas, os quadris,
lembrando o quanto eles são importantes. Da mesma forma, visitar com
muito carinho o abdômen e o tórax com seus órgãos internos, e assim por
diante até amar todo o corpo, conscientemente. Depois, sentir amor pela
própria alma, pelo espírito, por todo o ser.
E assim,
envolvidos nessas vibrações de luz, direcionar essa sublime emoção para
o ambiente em torno; levá-la mentalmente a se espalhar em todas as
direções, envolvendo nessa vibração tudo e todos, sem qualquer
restrição.
Outra forma muito
importante para desenvolver amorosidade é olhar para alguém e envolvê-lo
numa vibração de afeto, de carinho. Isto podemos fazer sempre, em todos
os momentos em que houver pessoas ao alcance da nossa visão. Mas não
devem ser apenas os seres humanos os objetos da nossa afetividade e,
sim, tudo que vive e até mesmo os inanimados, porque o amor é um poder
que se irradia, sem escolher alvo.
Se prestarmos
atenção, podemos perceber quão infinitas vezes em nosso cotidiano
podemos desenvolver afetividade. Por exemplo, quando vemos uma pessoa
feia ou desagradável é natural nos colocarmos internamente em posição
superior a ela. Mas se a olharmos com olhar afetivo, pensando nas
imensas dificuldades que deve enfrentar por causa da sua condição, lhe
enviaremos uma vibração de simpatia, de fortaleza, de soerguimento.
Da mesma forma, ao
nos depararmos com um tipo mau, repugnante ou facínora. Pelo olhar
afetivo veremos que seu espírito é da mesma essência que o nosso, e que
ele apenas está vivenciando fases primárias em suas experiências
evolutivas, em patamares ainda degradantes, mas que um dia sua luz
interior irá iluminá-lo por completo, assim como acontecerá também com
nós outros. Então lhe enviaremos uma vibração de afeto e de indução ao
bem.
Quando
conseguirmos perceber as profundas implicações no uso da afetividade em
nosso cotidiano, tornando-a atitude predominante, poderemos
também observar como o nosso interior mudou, iluminou-se.
Sente-se afeto em
várias modalidades:
a) por si mesmo;
b) por pessoas que
correspondem a esse sentimento na mesma medida. Esse é o afeto das
trocas, portanto, egoísta;
c) por pessoas ou
alguma comunidade eletiva, como por exemplo, a religiosa. Esse ainda é
um afeto egoísta, porque existe em razão de trocas;
d) por tudo e
todos de forma indiscriminada, assim como as águas de uma fonte que
jorram, sem pedir nada em troca. Esse é um afeto não egoísta. É abrir o
coração para uma terna vibração, que traz em seu bojo a alegria. É olhar
com carinho para o cachorro “vira-latas”, abandonado, sarnento, como se
estivesse vendo algo muito precioso.
Quando assumimos
um estado de espírito afetivo, nos tornamos pessoas mais brandas,
pacificadoras, propensas à alteridade e com mais facilidade para
desenvolver a humildade.
A afetividade
relaxa.
Alteridade
O segundo ponto
é a alteridade, palavra que só agora começa a se tornar mais conhecida,
principalmente nos meios espíritas.
De forma resumida
podemos dizer que ela representa o respeito que devemos ter para com
todos, além da disposição para aceitar e aprender com os que são e
pensam diferente de nós. É também a construção da fraternidade apesar
das divergências, respeitando-as e procurando aprender com as diferentes
opiniões. Mas vivenciar o valor da alteridade não significa deixar de
discutir, debater, questionar. A discussão, o debate e o questionamento
são saudáveis quando se respeita o outro e a sua maneira de ser e de
pensar.
A alteridade nos
ajuda a abrir caminhos para uma compreensão mais elevada sobre tudo. É o
mais importante mecanismo para o crescimento do homem como ser social,
que pode levá-lo a interagir pacífica e beneficamente com tudo que o
cerca. É, sem dúvida, o veículo capaz de conduzir a humanidade para a
tão esperada nova era.
A postura
alteritária nos leva a ver todos com bons olhos, lembrando as palavras
de Jesus: “Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso;
se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas.”
(Mateus 6:22 e 23)
A pessoa que
vivencia a alteridade passa a ser mais fraterna em todos os sentidos,
deixando de criticar, julgar, agredir... E esse tipo de atitudes deixa o
ser em paz consigo mesmo, com a humanidade, com a vida.
Aí você poderá
contestar dizendo que isto torna a criatura alienada. Mas há grande
diferença entre analisar – com vistas ao próprio aprendizado e também no
intuito de ajudar, caso seja viável – e julgar ou criticar. As posturas
de julgamento e crítica geralmente denotam uma idéia de superioridade,
porque ao criticarmos o outro estamos querendo diminuí-lo, para que a
nossa “grandeza” fique mais visível. Com tais atitudes, que têm como
combustível o orgulho e a vaidade, estamos enviando uma vibração
negativa ao objeto da nossa crítica, seja ele uma pessoa, uma
instituição ou uma nação, já que as instituições e as nações são
formadas por pessoas.
Por exemplo, você
vê alguém caminhando sobre a grama de uma praça para encurtar caminho e
pensa: “Que criatura mais sem educação!”.
Nesse ato de
criticar intimamente a atitude daquela pessoa, você está gerando uma
vibração negativa, ou seja, “energia psíquica” de teor negativo. Parte
dessa energia fica em você mesmo, seu gerador, e outra parte alcança a
pessoa que pisou a grama para cortar caminho. Por outro lado, se
registrar o ato errado, mas respeitando a diferença do outro não
criticá-lo, estará fazendo um bem a si mesmo e deixando de fazer mal a
outrem. Mas digamos que, agindo com alteridade e com afeto, você entende
que deve falar-lhe, alertando-o para o erro que está cometendo, fá-lo-á
então de forma a não humilhá-lo, encontrando a melhor maneira de ser,
junto àquela pessoa, uma presença benéfica. Mas se esse alerta for
inviável, poderá enviar-lhe uma vibração fraterna junto com a idéia de
que não se deve pisar a grama, para que esse tipo de vibração,
alcançando o alvo, possa induzi-lo a não mais praticar esse tipo de
ações, atuar sobre ele como fator indutor.
Desenvolvendo a
alteridade, respeitando completamente a maneira de ser dos outros em
seus erros, equívocos e até mesmo em suas maldades, lembrando que todos
somos seres em diferentes faixas evolutivas, tornamo-nos mais leves,
mais de bem com a vida, mais alegres e também mais saudáveis. E se
entendermos e vivenciarmos verdadeiramente a alteridade e a afetividade,
faremos uma prece pelos que estamos observando em erro e lhes
direcionaremos vibrações positivas, indutoras de ações mais corretas.
Mas há um ponto
importante a ser percebido em sua totalidade e de forma não distorcida.
Diz respeito à crítica. Como o ser humano, ou grande parte da
humanidade, tem a tendência de pular de um extremo para o outro, é bem
provável que muitos, ao abraçarem as idéias da alteridade, caiam nesses
extremos e passem a adotar a omissão ou a conivência como sendo
posicionamentos alteritários.
Ocorre que exercer
a faculdade da crítica faz parte do crescimento do ser humano. Só que há
dois tipos de crítica, uma é saudável, a outra não.
Na crítica
saudável observamos, analisamos, buscando entender os porquês,
confrontando tudo com o que sabemos e o que entendemos que seja o melhor
e o mais correto, sempre na intenção do aprendizado e visando roteirizar
para nós próprios os melhores modelos. Podemos também realizar essas
análises, visando de alguma forma colaborar para que sejam corrigidos ou
minimizados os erros que vamos encontrando em nossas apreciações. Se
acrescermos a esse tipo de crítica os valores da afetividade, havemos
sempre de encontrar a melhor maneira de ajudar, de ser presenças
benéficas onde estivermos, nem que essa ajuda se dê tão somente através
de uma prece ou de uma vibração positiva. Isto equivale a uma atmosfera
interna de boa vontade, de olhar tudo e a todos com bons olhos, a
desenvolver uma vibração positiva. Isto é benéfico para quem age dessa
forma, para os que o circundam e também interfere ou interage de forma
positiva com as próprias circunstâncias.
Na crítica
saudável podemos dialogar com tranqüilidade, debater nossos pontos de
vista, trocar idéias, estar abertos para aprender com os outros, enfim,
participar ativamente das situações, sempre visando o bem geral.
No tipo de crítica
não-saudável, desenvolvemos uma ambiência interna pesada, do contra,
sempre dispostos a encontrar erros em torno de nós. Posturas assim são
geradoras de energismo pesado, desagregador, além de fomentar orgulho e
vaidade em quem as vivencia.
Também é digno de
nota o fato de que nos meios espíritas é muito fácil desenvolvermos um
estado de crítica negativa com relação às religiões e a outros saberes,
tendo em vista o universo de conhecimentos transcendentais que o
Espiritismo nos proporciona. Esse tipo de procedimento é também gerador
de orgulho. Mas uma postura alteritária é niveladora, ajudando a
eliminar o orgulho, por nos propiciar entendimentos mais amplos, pelos
quais podemos perceber a importância de todos os demais saberes,
filosofias e religiões na evolução da humanidade.
Outro dia, quando
fazia a caminhada matinal, ao passar diante de um condomínio em
construção, um homem – vigia noturno da obra – lia a Bíblia para uma
mulher.
Meu primeiro
impulso foi pensar: “Um evangélico querendo converter alguém, logo
cedo”. Mas, lembrando-me da alteridade, mudei meu estado de espírito com
relação àquela situação e iniciei um discurso de censura para comigo
mesma. Logo em seguida, porém, recordei-me das lições que venho
aprendendo com esta Agenda Mínima, enquanto a vou escrevendo. Então, ao
invés da auto-censura, preferi “olhar” a cena com uma visão diferente, e
fiquei comovida com o que vi: uma pessoa pobre, certamente sem
instrução, ocupando-se em repassar a outrem os ensinamentos de Jesus,
quando poderia estar comentando o crime da véspera que ainda circulava
na mídia e na boca do povo.
Olhei-os então com
outros olhos e enviei-lhes uma vibração afetuosa. Segui caminho,
sentindo-me feliz, desse tipo de felicidade que sentimos quando olhamos
o outro com afeto, com alteridade e com humildade.
Assim, por tudo
que podemos observar em nós e em torno de nós, é possível perceber a
importância da alteridade em todos os relacionamentos. Nos meios
espíritas ela se torna uma postura de vanguarda, sinalizando um modelo
de convívio para o novo tempo, o mundo de regeneração.
A afetividade e a
alteridade também são importantes para a paz. Ver os outros com olhar
alteritário minimiza quaisquer razões para a violência. Vê-los com olhar
afetivo dilui as vibrações agressivas e desfaz impulsos violentos.
O escritor e
palestrante espírita Alkíndar de Oliveira, pinçou algumas observações do
espírito Ermance Dufaux, do livro Reforma Íntima sem Martírio,
psicografado por Wanderley S. Oliveira, nas quais vale a pena refletir:
“Aprender a
discordar sem gostar menos, de nossos companheiros.”
“Aceitar cada
pessoa como é, procurando entender os “porquês” dos incômodos que
sentimos com esse ou aquele coração.”
“Pensar sempre
com bondade sobre quaisquer pessoas, em quaisquer situações.”
“Ajuizar, com
isenção de ânimo, o valor das idéias alheias.”
“Onde houver duas
ou mais pessoas reunidas... ali estará o conflito. Cabe a nós aprender a
administrar os conflitos interpessoais e isto só será possível se
tivermos alteridade.”
E que viva o amor,
em todas as suas manifestações.
Humildade
O terceiro
ponto é a humildade.
Mas que é
exatamente humildade? É fazermo-nos pequenos, menores do que somos na
realidade? É minimizar nossos valores?
Certamente, não.
A humildade é uma
percepção clara da nossa real condição. Nem para mais, nem para menos.
Se for para mais
nos levará ao orgulho, porque a idéia de sermos mais evoluídos do que
nossa realidade acarreta envaidecimento, já que, pela nossa pouca
evolução, estamos ainda muito predispostos a cair nessa ilusão.
Se forçarmos nossa
percepção para menos, isto nos levará a uma situação irreal e à
diminuição da nossa auto-estima, o que é prejudicial para nossa vida e
evolução.
Mas como podemos
encontrar nossa real condição? Aprofundando o auto-conhecimento.
Mas é preciso ter
cuidado porque geralmente ao mergulharmos em nossa intimidade nessa
busca, temos como foco, mesmo inconsciente, encontrar valores ainda não
descobertos.
Hoje, pela manhã,
ao fazer a caminhada diária, tive ocasião de entender essa questão por
um ângulo diferente.
Numa prece pedi a
Deus e aos espíritos benfeitores que me ajudassem a me tornar humilde, a
conhecer minha realidade mais íntima, a fim de que esse conhecimento me
ajudasse nesse desiderato.
Pus-me então a
refletir, percebendo que um amigo espiritual conduzia minhas reflexões
e, assim, na busca à minha realidade, comecei por fazer um
questionamento.
Se nunca tivesse
tido orientação, assistência e participação espiritual em minhas ações e
na condução da minha vida, como eu seria ou estaria agora?
Era uma questão
difícil, mas importante. E como entremostrava um universo excessivamente
vasto, achei melhor fixar-me apenas na minha vida como espírita.
Voltei então atrás
no tempo, desde os primeiros passos neste caminho, perguntando-me sempre
como teria sido se os espíritos não me tivessem auxiliado, orientado e
conduzido?
Dessas perguntas
restou um saldo que certamente estava bem abaixo do esperado.
Percebi então que
não seria, na minha realidade, o que hoje “estou”, e nesse caminhar
rememorativo cheguei ao momento em que comecei a atuar na divulgação do
Espiritismo ao público externo: coluna no jornal, programa no rádio,
peças teatrais, livros e muitas outras atividades que se foram
desdobrando ante meu olhar interior. Mas esse olhar já era diferente. Ao
perguntar-me como teria sido se não tivesse recebido assistência
espiritual em cada etapa, em cada momento... só encontrava o vazio. Não
havia respostas.
Fui trazendo à
memória a forma como todas essas ações começaram e percebi com absoluta
clareza que mãos invisíveis sempre conduziram absolutamente tudo.
Tudo que tenho
escrito, todas as iniciativas, tudo sempre começou e continuou pela ação
deles. Até mesmo isto que estou escrevendo agora, foi-me intuído por
eles. Nada do que fiz e faço é de minha exclusiva lavra. Na verdade, sou
apenas a mão que executa.
Como segundo
passo, comecei a imaginar como eu seria hoje, não tivesse sido “levada”
para este caminho. Talvez fosse uma dona-de-casa unicamente preocupada
com os afazeres domésticos e as conversas com as vizinhas, dissecando a
vida dos outros, ou detalhando os acidentes, crimes e fofocas ocorridos
mais recentemente. Talvez fosse uma profissional inteiramente tomada
pelas atividades e a luta pela sobrevivência. Provavelmente estaria
enfrentado situações as mais amargurosas e sofridas, em difíceis
resgates, sem poder contar com o apoio e amparo dos amigos espirituais.
Em qualquer dessas situações eu me via como uma pessoa absolutamente
insignificante. Pior ainda, ao pensar que sem a assistência dos amigos
espirituais, quem sabe poderia ter-me tornado alguém de presença
negativa, maléfica.
Que terrível
“virada”!
Já olhava os
transeuntes percebendo-me abaixo de todos, sem qualquer valor. Senti
então, não exatamente humildade, mas uma terrível sensação de
inferioridade e de impotência, e o desânimo começou a se instalar.
Mas antes que se
instalasse e, certamente com ajuda do benfeitor espiritual, lembrei-me
de um dos pontos desta Agenda, o equilíbrio.
Se analisasse com
equilíbrio, entenderia que em todo esse andamento da minha vida como
espírita houve também minha participação, embora mínima:
a) deixei que me
conduzissem, agindo com o valor da “boa vontade”;
b) assumi o
compromisso firmado antes da minha reencarnação, procurando fazer a
minha parte;
c) esforcei-me por
me conectar com o “mais alto” através da prece, das atitudes e ações,
dentro da minha limitada evolução e, apesar das quedas e tropeços, não
desisti;
d) tenho procurado
ser a “mão que executa”, mesmo sem ter sempre executado da melhor
maneira.
Com essas
observações já deu para respirar mais aliviada, mas a “queda na
realidade” foi extremamente marcante.
Acredito que daqui
em diante, se meus pensamentos convergirem para o que “estou”, olharei
para mim mesma procurando imaginar como seria e como estaria, não fosse
a assistência e ajuda dos benfeitores espirituais. Assim poderei ver a
minha realidade, a minha verdadeira condição, e isto me ajudará a
caminhar no rumo da humildade e, no lugar do orgulho, começar a
construir um espaço para a gratidão, com profunda admiração pelo
grandioso valor, o amor, que leva tantos a acolherem e a ajudarem
tantos outros de forma absolutamente desinteressada. (A referência é aos
espíritos benfeitores.)
Quando “caímos na
realidade” percebemos que não há razões para nos sentirmos engrandecidos
por nossas constatações distorcidas, pelos elogios recebidos ou por
quaisquer outras razões. Tudo em nossas vidas será motivo de gratidão
àqueles que nos assistem e motivação para buscarmos cada vez mais nosso
crescimento interior.
Mas esse mergulho
em nossa realidade apresenta também outro desdobramento, o nosso grau de
evolução espiritual, aquilo que SOMOS, não o que aparentamos ser.
Esse “aparentar” é
muito bem explicado pelo espírito Ermance Dufaux, no livro Reforma
Íntima sem Martírio, quando fala nas inúmeras máscaras que usamos num
processo de “santificação de adorno”, quando diz:
“Percebe-se que
esse tipo de “santificação” está no nosso exterior, como mera vestimenta
ou adorno a ser mostrado aos outros, principalmente aos companheiros da
seara, por receio de sermos por eles julgados e tidos como “maus
espíritas”, ou seja, de cairmos no conceito da comunidade em que estamos
inseridos. Mas lembremos que Jesus enfatizou muito essa questão das
aparências e a própria lógica nos diz que ela não tem qualquer
consistência. Ao contrário, é muito prejudicial à nossa evolução porque
nos leva, ao longo do tempo, a acreditar que realmente somos o que
aparentamos, engano que nos custará muitas dores, tristezas e
arrependimento após ingressarmos no reino da verdade pelas portas da
desencarnação.”
Ermance e outros
espíritos falam muito sobre as grandes decepções e sofrimentos de
espíritas em seu retorno ao mundo espiritual, quando em contato mais
profundo com sua própria realidade, por causa desse “aparentar ser o que
na realidade não se é”.
E essa realidade é
fácil de constatar quando nos colocamos de atalaia junto a nós mesmos,
ou como ouvidor junto à nossa fala, perguntando-nos sempre as causas
profundas de tais pensamentos, palavras, atitudes e ações. Com isso
podemos perceber, quando nas linhas da verdade, o quanto de enganos
ainda há em nós e quanto camuflamos as nossas razões mais íntimas.
Percebemos a nossa tendência em nos mostrar aos outros visando sua
aprovação e elogios, porque isto faz bem ao nosso ego.
Mas a pessoa mais
evoluída não se compraz com a admiração alheia. Não busca nem precisa
dos “altares” e das platéias que nós outros ainda buscamos. Da mesma
forma não se ocupa em contabilizar os próprios valores e qualidades, que
para ela são naturais, fazem parte do seu ser.
O fato de nos
atribuirmos alguma superioridade espiritual já nos informa sobre o nosso
real nível evolutivo.
A humildade também
leva a quem já vivencia esse valor a assumir postura de aprendiz, mesmo
que tenha galgado posições de destaque, por descobrir que o muito que
acredita saber e ser, nada é em relação ao que ainda precisa aprender e
ser.
E assim, após
todas essas reflexões, análises e constatações acabamos por perceber que
estivemos caminhando sobre saltos muito altos, ou mesmo, sobre “pernas
de pau”, e ao nos olharmos no espelho víamo-nos numa condição bem mais
elevada que a realidade.
Esse é um momento
único, que poderá decidir nosso processo evolutivo. É o momento em que,
face a face com nós mesmos, podemos começar a crescer sobre as próprias
bases, sem máscaras, sem ilusões.
Mas também é um
momento que acarreta certo perigo, porque podemos não aceitar nossa real
posição e acabar construindo novas e mais pesadas máscaras. Da mesma
forma pode também surgir o desânimo ou gerar-se baixa auto-estima.
Por tudo isso é
necessário preparar bem o coração e a mente, e, acima de tudo, buscar
ajuda divina para esses momentos tão importantes nos nossos processos
evolutivos. E então, após todas as constatações, quando, mais que
perceber, começamos a “sentir” a nossa pequenez, passamos também a nos
sentir mais leves e mais livres.
Outro ponto
importante é nos aprofundarmos nessa busca interior sem o intuito de nos
criticar, censurar ou baixar a auto-estima em razão das coisas negativas
que formos encontrando. Devemos, sim, devassar nosso íntimo, assim como
um cirurgião, a procura daquilo que nos faz mal, perdoando-nos mediante
a compreensão de que somos ainda pré-adolescentes espirituais, com
direito de errar, mas a caminho do nosso crescimento.
Chico Xavier se
comparava a um burro de carga, ou outros qualificativos que o diminuíam.
Certamente foram posturas extremas que ele apresentava visando ajudar os
leitores em seu combate ao orgulho, “puxando a corda da humildade” ao
extremo, para ver se assim ajudava um pouco mais.
Mas o equilíbrio
(outro ponto desta agenda) nos informa que, se buscarmos a nossa
realidade mais profunda, sem distorções, não precisamos adotar tais
posturas.
E assim,
percebendo sempre que a nossa essência espiritual é “luz de Deus” ainda
oculta sob a nossa imaturidade, nossa pouca idade sideral, e que somos
todos iguais, embora em diferentes trechos do caminho evolutivo,
será mais fácil desenvolver a humildade verdadeira. E essa humildade não
será um peso a nos diminuir, a nos comprimir em nossos baixos patamares
evolutivos, mas um vislumbrar de alegrias divinais a nos irmanar com
todos. Nem acima, nem abaixo, mas iguais, como flores a vicejarem sob os
raios do divino SOL.
Mas há uma
pergunta importante: como fica nossa situação - médiuns, dirigentes,
palestrantes, escritores e demais líderes ou formadores de opinião -
quando, “sob o aplauso da platéia”, nos vemos alçados a patamares
irreais? Nessas condições, reconhecendo nossa realidade íntima, não
condizente com aquela que os outros vêem, podemos entender que não
devemos decepcionar a “platéia”, por temer que essa decepção possa
recair sobre a mensagem de que somos portadores.
Que fazer? Como
agir nessas situações?
Eis uma difícil
questão.
Para não
“decepcionar a platéia” é fundamental deixar sempre claro que a mensagem
que conduzimos não é exatamente nossa, os méritos não são nossos, pois
somos apenas porta-vozes, ou as mãos que materializam a obra.
Isto não será
difícil quando nós mesmos estivermos convencidos dessa realidade.
Valorizar a
mensagem, sim, colocando o mensageiro no lugar que lhe cabe. Deixar bem
claro que somos tão falíveis quanto os demais, e que importa refletir no
teor da mensagem, sem ocupar-se com aquele que a traz.
Só se decepciona
quem se iludiu.
Além disso, é
fundamental empenharmo-nos verdadeiramente em nossa reforma interior,
buscando primeiro conhecer melhor a nós mesmos, a nossa realidade íntima
e oculta, para em seguida darmos andamento mais acelerado a essa
reconstrução e posterior crescimento.
Certamente é
necessário também abandonar aquelas posturas de “santidade de adorno”,
arrancar as máscaras e permitir que os outros nos vejam como somos. Será
um verdadeiro “quebrar paradigmas”. Talvez a “platéia” se decepcione,
mas terá oportunidade de aprender a desenvolver percepções mais
equilibradas, a não confundir o santo com o milagre e entender que a
evolução pede transparência.
Mostrar com
sinceridade nosso íntimo, com suas sombras e luzes, toca muito mais do
que muitas palavras elaboradas. Aproxima-nos dos outros, e essa
aproximação possibilita entrelaçar esforços, somar ideais de evolução
para crescer em conjunto. É muito mais fácil que crescer sozinho.
Apoiando-nos uns nos outros, com sinceridade e igualdade, podemos
alcançar mais facilmente nossas metas evolutivas, sem recear julgamentos
humanos, nem discriminações.
Essa opção
certamente é bem difícil, mas de que vale caminhar sobre altares ou por
caminhos mais fáceis quando encarnados, para depois sofrer decepções e
as mais diferentes dificuldades no mundo espiritual, além de precisar
recomeçar tudo em futuras encarnações? E aqui cabe lembrar aquela
conhecida exortação de Jesus: “Entrai pela porta estreita, porque larga
é a porta que leva à perdição”.
Convém lembrar
também que essas reflexões não se restringem apenas aos formadores de
opinião ostensivos. Toda pessoa sempre exerce influência, em algum grau,
sobre outras pessoas.
Contentamento
O quarto ponto
desta agenda também representa um estado de espírito. É o contentamento.
É importante, é
fundamental, desenvolver os valores que nos tornam pessoas melhores,
presenças benéficas. Mas como ficamos em nossa intimidade? O que fica
faltando para alcançarmos a plenitude? Onde ela se encontra? Certamente
está no coroamento dos valores da alma, no contentamento, que é a nossa
vibração de vida.
Pense numa pessoa
afetuosa, alteritária, que já tenha adquirido os valores da humildade,
mas triste, desalentada, arrastando sua cruz vida afora. É como um
pássaro de uma só asa. Como levantar vôo para novas conquistas
espirituais, quando falta essa seiva de vida, o contentamento?
Os seres
espirituais de elevada condição irradiam alegria. A sua presença infunde
inusitado júbilo nas pessoas que possuem maior sensibilidade. È uma
sensação maravilhosa de plenitude. Tudo se transforma em infinito
contentamento, em puro júbilo que vibra em cada célula e em cada
neurônio. É como se ficássemos “cheios de Deus”.
O contentamento,
na verdade, é uma elevada aquisição que podemos ir conquistando passo a
passo, aproveitando todos os momentos para senti-lo, desenvolvendo-o em
nossa intimidade.
Há estados de
espírito como a depressão, a tristeza e o desamor, que chamaria de
falsos, por não se harmonizarem com a verdadeira natureza do ser e da
vida. A natureza vibra a alegria de viver em sons, movimentos e formas.
Por isso não devemos deixar prosperar estados de espírito falsos. Nos
casos de depressão profunda é importante procurar ajuda na medicina, por
se tratar de algo que foge ao controle da própria pessoa.
Um estado de
espírito prazeroso pode ser desenvolvido. Podemos nos condicionar ao
júbilo. Certamente não será fácil a quem já se habituou, até mesmo ao
longo de várias encarnações, a carregar os pesos da vida nas costas.
Há pessoas
sofredoras, com graves deficiências físicas, passando necessidades
materiais de toda sorte, sofrendo humilhações, mas que se mostram sempre
alegres, de bem com a vida. Também há outras que receberam da vida tudo
que alguém pode desejar, mas são carrancudas, mal-humoradas, e vivem a
se queixar.
As condições
materiais certamente podem influenciar nossos estados de espírito, mas
só até certo ponto. Num documentário sobre a felicidade, o Globo
Repórter mostrou uma mulher muito pobre que trabalhava como
ascensorista e mantinha sozinha a família com dois ou três filhos e mais
um neto por chegar. Estava sempre sorridente e dizia-se muito feliz.
Se prestarmos
atenção iremos sempre encontrar pessoas que “vivem no sub-solo da vida”
mas estão sempre alegres.
É muitíssimo
importante adotar o contentamento como estado de espírito eletivo. Basta
exercitar-se em cultivá-lo, ficando atento para sempre “ver” o lado bom
e belo da vida, desde as pequenas até às grandes coisas.
A alegria nos
torna plenos, quando vibra alicerçado na afetividade, na alteridade e
com humildade de alma. Diz o espírito Miramez que ela reveste todas as
virtudes de luz.
Se não se quiser
classificar o contentamento como virtude, certamente ele representa uma
“vitamina espiritual”, um elixir de vida, ajudando a torná-la plena.
Equilíbrio
Ao quinto ponto
(último) desta agenda mínima chamamos de complementar, porque
complementa todas as outras, dando-lhes um eixo. Também não é estado de
espírito, mas atributo da mente. Trata-se do equilíbrio, um dos mais
importantes valores do ser racional, já que possibilita maior número de
acertos e evita muitas quedas. É irmão gêmeo da sabedoria.
A todo instante
nos vemos a braços com escolhas, decisões e conflitos, desde os mais
graves, até aos mais corriqueiros. Eles ocorrem não apenas em nossa vida
de relação com o mundo exterior, mas também em nossa intimidade, no
desenrolar do pensamento, nas emoções e nos sentimentos. Então, para que
erremos menos, o equilíbrio deve estar sempre presente. Diríamos mesmo
que já deve estar atuante até mesmo no nascedouro dos pensamentos, como
alicerce de sabedoria para nossas vidas.
Vemos então a
importância de buscá-lo em nossos processos evolutivos, para não cairmos
nas muitas dificuldades e sofrimentos que a sua ausência pode provocar.
Nos pontos
apresentados até agora o equilíbrio deve sempre estar presente.
Na afetividade,
norteando os envolvimentos de forma a não transformá-la em algemas, ou
em dependência de qualquer natureza.
Na alteridade
é fundamental para orientar nossas reflexões, debates ou discussões com
serenidade, isenção de ânimo e maturidade, possibilitando gerar as mais
acertadas conclusões.
Na humildade
é o suporte necessário para não cairmos nos extremos, sempre
prejudiciais.
No
contentamento evita exageros e falsas exibições.
Em todos os atos e
passos do nosso existir, portanto, o equilíbrio é valor fundamental,
porque nos proporciona um alicerce necessário ao correto entendimento de
tudo. Representa a maturidade despontando em quem o possui.
Resumo
A Agenda
Mínima para evoluir é um programa cujo diferencial é a priorização
da ação evolutiva a partir dos estados de espírito, que são o
fundamento de todos os nossos movimentos de vida. Cuidando desse “clima
interior” estaremos facilitando sobremaneira a vivência de atitudes mais
condizentes com o conhecimento espiritual que já alcançamos e com o
nosso momento evolutivo.
Outro diferencial
é o fato dela resumir todo o processo de crescimento interior, que
demandaria um numero infinito de ações, em apenas cinco pontos:
quatro representam estados de espírito e um é atributo da mente.
Afetividade
– Sendo o
amor o maior dos valores da alma, o primeiro ponto a ser
considerado é a afetividade. Quando nos habituarmos a vivenciá-la,
estaremos dando o mais importante dos passos no rumo do amor e da nossa
evolução espiritual.
Alteridade
– Resumidamente, podemos dizer que ela representa o respeito que devemos
ter para com todos, além da disposição para aceitar e aprender com os
que são e pensam diferente de nós. É também a construção da fraternidade
apesar das divergências, respeitando-as e procurando aprender com as
diferentes opiniões. Mas não significa deixar de discutir, debater,
questionar. A discussão, o debate e o questionamento são saudáveis
quando se respeita o outro, a sua maneira de ser e de pensar. É, sem
dúvida, o veículo que ajudará a conduzir a humanidade para a tão
esperada nova era.
Humildade
- É uma percepção clara da nossa real condição. Nem para mais, nem para
menos.
Se for para mais,
nos levará ao orgulho, porque pensar que somos mais evoluídos do que
nossa realidade, acarreta envaidecimento. Pela nossa pouca evolução,
estamos ainda muito predispostos a cair nessa ilusão.
Se forçarmos nossa
percepção para menos, isto nos levará a uma situação irreal e à
diminuição da nossa auto-estima, o que é prejudicial para nossa vida e
evolução.
Contentamento
– É importantíssimo desenvolver os valores que nos tornam pessoas
melhores, presenças benéficas. E quanto a nós? O que fica faltando para
alcançarmos a plenitude? Certamente ela está no coroamento dos valores
da alma, no contentamento, que é nossa vibração de vida.
Equilíbrio
- Complementa todos os outros, dando-lhes um eixo. Não é estado de
espírito, mas atributo da mente e um dos mais importantes valores do ser
racional, já que possibilita maior número de acertos e evita muitas
quedas. É irmão gêmeo da sabedoria.
Nos pontos
apresentados o equilíbrio deve sempre estar presente:
Na afetividade,
norteando os envolvimentos de forma a não transformá-la em algemas, ou
em dependência de qualquer natureza.
Na alteridade
é fundamental para orientar nossas reflexões, debates ou discussões com
serenidade, isenção de ânimo e maturidade, possibilitando gerar as mais
acertadas conclusões.
Na humildade
é o suporte necessário para não cairmos nos extremos, sempre
prejudiciais.
No
contentamento evita exageros e falsas exibições.
Em todos os atos e
passos do nosso existir o equilíbrio é valor fundamental, por nos
proporcionar um alicerce necessário ao correto entendimento de tudo.
Representa a maturidade despontando em quem o possui.
Agora, companheiro de ideal, só está faltando você decidir-se a iniciar
um programa evolutivo, dando-lhe prioridade.
Verá, com os
resultados obtidos, que realmente... VALE A PENA.

Sempre que
lembrar, agora mesmo, desenvolva um
sentimento
de amor e envolva nele os companheiros de atividades,
o
centro que freqüenta e todo o movimento espírita.

Quando aprendermos
a nos amar
o Mestre nos reconhecerá como seus discípulos.
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